
Indianápolis já foi. Tivemos o maior espetáculo do automobilismo quando estamos na rua com esta edição de Speedway, mas os fatos do mês, antes da corrida, antes deste fechamento, merecem atenção especial.
Quero contar a história do piloto que não correu. Bruno Junqueira fechou acordo com a equipe Conquest na sexta-feira à noite, antes do terceiro dia de qualificação. Anunciado o acordo na manhã seguinte, o time não conseguiu montar seu carro a tempo de classificar e ele só foi pra pista no Bump Day, dia de buscar a vaga tirando alguém do grid. Oito voltas de treino e na seqüência, ele foi pra pista e se classificou na média de mais de 259 quilômetros por hora. Ricardo Divila, engenheiro experiente, já viu de tudo na vida, de carro de F-1 a máquinas
off-road, e cumprimentou Bruno: "Celso, quem sabe, sabe." Simples e direto. Bruno sabe.
Mas não correu. O primeiro carro da equipe Conquest, pilotado pelo canadense Alex Tagliani, por erro da equipe perdeu a vaga no último minuto do treino. Desclassificado, mas dono do budget da equipe para a temporada, Tagliani foi colocado no carro que Bruno classificou com tanta competência. No blog do jornal local de Indianápolis, o “The Indianapolis Star”, os fãs se mostraram revoltados com o fato de o piloto mais rápido não estar no grid. Coisas da regra das 500 Milhas, que historicamente permite que um piloto treine, outro classifique e um terceiro faça a corrida. Sem mágoas. Pelo menos no papel.
Bruno Junqueira está nos Estados Unidos fazendo carreira desde 2001. Chegou depois de ter perdido a vaga na equipe Willians de F-1 para o inglês Jenson Button, atual candidato ao título pela equipe Brawn GP, depois de alguns anos na sombra do fenômeno Lewis Hamilton.
Acelerou nas equipes Chip Ganassi e marcou sua careira americana com os
vice-campeonatos pela equipe Newmann-Haas. Ficou atrás de Paul Tracy numa vez e de Sebastian Bourdais nas outras duas. Em 2006 liderava o campeonato da Champ Car, mas sofreu um forte acidente em Indianápolis e não conseguiu o que parecia certo, o sonhado título.
Aos trinta e dois anos de idade, ele já tem vinte e dois de carreira. Pelo que mostrou em Indianápolis, uma pista que exige tanto do carro quanto da capacidade do piloto, merece mais que uma nova chance para seguir sua carreira. Principalmente quando a categoria tem Milka Duno que, aliás, classificou o carro 23 no dia em que Tagliani foi tirado da prova.
Extraido da Edição nº 97 da Revista Speedway